Travessia da Serra Fina

Fui sozinho, mas lá nos juntamos em um grupo fantástico, de 8 pessoas, motivadas para fazer a travessia, com um astral e uma energia muito legal. É muito interessante conhecer pessoas nessa situação, pessoas de bem com a vida, dispostas a compartilhar experiências, a conviver de maneira intensa e próxima à natureza por alguns dias. Mochila nas costas com somente as coisas indispensáveis no alto da montanha (o que não é pouco, rs), saímos para subir a montanha, eu, Dani, Fabi, Adriana, Fernando, Márcio, Cesar e Verner, além dos nossos guias. No primeiro dia, subida até o Pico do Capim Amarelo, onde encontramos outros grupos. Seguimos por várias encostas com vistas maravilhosas do vale e da cidade de Cruzeiro ao longe. Muito vento, de cerca de 30 km/h, que foi quando perdi meu boné, que hoje descansa na montanha... Abastecemos de água no último ponto possível antes da Pedra da Mina (que só alcançaríamos no dia seguinte), cada um levando cerca de 4 litros na mochila. Muito companheirismo na caminhada, o pessoal ia se conhecendo, as refeições eram uma curtição à parte: macarronada na primeira noite, quando acampamos praticamente sozinhos no chamado "Maracanã". Depois ficamos sabendo que todos os outros grupos abortaram a subida para a Pedra da Mina por conta do mau tempo que se desenhava. Mas lá estávamos nós, prontos para prosseguir no segundo dia. Depois da primeira noite acampados, mal dormida e com muito, muito vento, seguimos até o pé do Pedra da Mina. Acampamos por lá para subrimos no dia seguinte. Dependendo do tempo, seguiríamos para o vale do Huá e depois ao Pico dos 3 Estados, ou abortaríamos, descendo da Pedra da Mina e voltando a Passa Quatro pela descida do Paiolinho. No jantar, arroz com farofa mineira, com bacon e linguiça defumada... :P Muita conversa, um tanto de pinga com mel só para aquecer, e vamos dormir... uma noite pior do que a anterior, com ventos que até derrubaram uma das barracas às 3 da manhã. No dia seguinte, tempo só piorando, ventos cada vez mais fortes e muita neblina. Na subida, os ventos estavam cada vez piores, cerca de 70 km/h, que nos derrubaram por várias vezes. As rajadas ainda traziam muita umidade, o que dava o efeito de uma chuva lateral bem forte, nos molhando bastante. Todos juntos, com muita determinação, conseguimos subir ao topo, e em seguida começamos a difícil descida pelo Paiolinho, abortando o resto da caminhada por conta da chuva que se anunciava. Ao final da descida, após mais de 6 horas praticamente ininterruptas de caminhada, uma miragem: um boteco com 4 frangos assados e muitas garrafas de cerveja... para a turma cansada, um verdadeiro banquete... E, com a sensação de um desafio vencido, apesar de não termos completado a travessia, voltamos à civilização.
O legal disso tudo é sentir ultrapassando alguns limites, mostrando a si mesmo até onde podemos ir, além de sentir de maneira muito forte a nossa insignificância e fragilidade frente à força da natureza, quando se está desprovido de conforto e estrutura, e tudo com o que se conta é o póprio corpo e o que ele seja capaz de carregar. E a convivência com pessoas fantásticas nesses momentos, como essa turma que se formou, só torna a aventura, embora dura, mais prazerosa ainda. Uma experiência que recomendo...
Turma da trilha, agradeço muito pelos momentos e pela caminhada, e até uma próxima!

