24.2.08

Conexões


Existem pessoas em nossas vidas que vêm e vão, outras que permanecem. Você já teve a sensação de que por algumas vezes, pessoas aparecem e reaparecem na sua vida como se por um propósito específico, momentâneo? Simples, mas extremamente importante. Como se naquele momento em que estamos precisando de alguma coisa, com algum problema, aparece alguém que você não vê faz tempo, para lhe dizer ou mostrar algo de que você necessita naquele preciso instante. Como se algo que regesse nossas vidas, nossos destinos - podem chamar Deus, destino, conjunções astrais ou outra coisa -, estivesse agindo, fazendo as coisas se encaixarem de alguma forma. Por vezes isso nos passa despercebido, mas se procurarmos, conseguimos nos lembrar de inúmeras situações onde coisas desse tipo ocorreram.
Encontros como esses realmente são raros, e únicos em sua maioria. Como se fôssemos almas conectadas, pessoas especiais aparecem em nossas vidas, e são muito importantes, às vezes próximas, às vezes distantes... mas sempre, de alguma forma, com uma conexão que transcenda o nosso entendimento... durante muito tempo achei que conexões como essas, com pessoas queridas com que perdemos contato ao longo dos anos, poderiam ser mantidas. Podem, mas os anos acabaram me mostrando (ao menos no meu caso) que são poucas, muito poucas. Um encontro de almas, algo raro, mas muito bonito de se viver, eu creio. Alguém já disse que a amizade é uma alma com dois corpos... exageros a parte, acho que deve ser algo assim... E me deixa muito feliz o fato de eu conseguir enxergar hoje essas conexões em grandes amigos, pessoas muito especiais, muito importantes para mim. Umas mais próximas, outras mais afastadas, mas a cada reencontro a certeza de rolar da mesma forma, como em uma conversa interrompida por um breve intervalo, como se nada tivesse acontecido e tempo nenhum passado... Obrigado a vocês todos...

Hoje
E porque estou falando nisso hoje? Hoje tentei me despedir de uma pessoa, um grande amigo que está partindo, em busca de seus caminhos e seus sonhos. E é uma pessoa que me é muito especial, com quem eu sinto intensamente essa conexão. Por inúmeros motivos, não pude ir vê-lo. Queria muito poder ter estado com ele, dado um abraço, e que essa despedida não tivesse que ser através de uma fria linha telefônica. Tanto a se dizer, e a vida nos jogando de um lado para outro, privando-nos desses momentos. Querido amigo, vá, viva, o mundo é grande demais, descubra-o uma duas, várias vezes, temos muito ainda por fazer e viver... descubra seus verdadeiros caminhos, busque pelos seus sonhos e pelo seu destino, mesmo naqueles momentos em que não sabemos muito a respeito deles... Vou sentir falta das conversas, das coisas de que não gosto mas preciso ouvir, da sua paciência em me ouvir e responder sem julgar, mesmo quando discorda de cada vírgula do que eu falo. Isso lhe faz grande, imprescindível. Receba de mim um grande imenso abraço, um desejo de uma excelente jornada, e um até breve, até um próximo reencontro... para continuar aquela conversa...

(foto: Loto Azul)

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6.2.08

A vida dos outros

Ultimamente tenho tido sorte ao escolher filmes para assistir. Taí um filme que tinha tudo para ser meio óbvio (na minha opinião) e surpreende. A trama se passa na Alemanha socialista, e mostra como o Estado mantinha potenciais suspeitos sob estrita vigilância. E como as pessoas que na verdade constituíam aquele Estado (como qualquer estado, sob qualquer regime) podiam interferir - e de fato o faziam - de acordo com suas próprias vontades e convicções. Convicções essas por vezes com raízes ideológicas, por outras com motivos menos nobres. Altera-se o objetivo da instituição que compõem, para o bem e para o mal. Por fim, acaba tratando das relações humanas e suas diferentes percepções, e que naquele contexto interferiu significativamente na vida dos personagens.

A trama é muito bem trabalhada, e a construção psicológica de alguns personagens também, em especial a do dedicado agente convocado para espionar o casal suspeito. O final do filme, ao meu ver, é singelo e tocante. Recomendo.
E saí de lá pensando, como sempre acontece comigo quando vejo um filme bom. Porque filme bom para mim deve ser aquele que te faz pensar algo a mais, que lhe acrescenta algo. Blockbusters que me perdoem, mas conteúdo é fundamental. E fiquei pensando no quanto que uma instituição, seja ela política, religiosa ou de outra ordem, foge dos seus princípios quando os interesses das pessoas que as compõem se sobressaem sobre os interesses maiores, ou comuns. E acho que a própria natureza humana acaba tornando impossível uma instituição coesa, se essa for formada por humanos. E como o contrário até agora não é possível, as instituições são falhas, sempre. Não estou sugerindo que
elas sejam compostas por robôs ou computadores, mas apenas que não podemos colocá-las acima de qualquer suspeita ou julgamento, pois por definição, são sempre passíveis de falhas. A História está repleta de exemplos, e por várias vezes, talvez ela tivesse sido diferente se as pessoas tivessem por vezes pensado no coletivo, pensado como a instituição. Porque em geral - com exceções, claro -, as instituições tinham boas intenções, ao menos na teoria.

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