6.2.08

A vida dos outros

Ultimamente tenho tido sorte ao escolher filmes para assistir. Taí um filme que tinha tudo para ser meio óbvio (na minha opinião) e surpreende. A trama se passa na Alemanha socialista, e mostra como o Estado mantinha potenciais suspeitos sob estrita vigilância. E como as pessoas que na verdade constituíam aquele Estado (como qualquer estado, sob qualquer regime) podiam interferir - e de fato o faziam - de acordo com suas próprias vontades e convicções. Convicções essas por vezes com raízes ideológicas, por outras com motivos menos nobres. Altera-se o objetivo da instituição que compõem, para o bem e para o mal. Por fim, acaba tratando das relações humanas e suas diferentes percepções, e que naquele contexto interferiu significativamente na vida dos personagens.

A trama é muito bem trabalhada, e a construção psicológica de alguns personagens também, em especial a do dedicado agente convocado para espionar o casal suspeito. O final do filme, ao meu ver, é singelo e tocante. Recomendo.
E saí de lá pensando, como sempre acontece comigo quando vejo um filme bom. Porque filme bom para mim deve ser aquele que te faz pensar algo a mais, que lhe acrescenta algo. Blockbusters que me perdoem, mas conteúdo é fundamental. E fiquei pensando no quanto que uma instituição, seja ela política, religiosa ou de outra ordem, foge dos seus princípios quando os interesses das pessoas que as compõem se sobressaem sobre os interesses maiores, ou comuns. E acho que a própria natureza humana acaba tornando impossível uma instituição coesa, se essa for formada por humanos. E como o contrário até agora não é possível, as instituições são falhas, sempre. Não estou sugerindo que
elas sejam compostas por robôs ou computadores, mas apenas que não podemos colocá-las acima de qualquer suspeita ou julgamento, pois por definição, são sempre passíveis de falhas. A História está repleta de exemplos, e por várias vezes, talvez ela tivesse sido diferente se as pessoas tivessem por vezes pensado no coletivo, pensado como a instituição. Porque em geral - com exceções, claro -, as instituições tinham boas intenções, ao menos na teoria.

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3 Comments:

At 06 Fevereiro, 2008 11:08, Anonymous Ana Paula said...

Muito bonita a forma como esse filme mostra as contradiçoes e belezas humanas presentes na sua pluralidade. Dessa forma o humano pode criar, ser belo e perverso, com o mesmo poder. Tocante, certamente, e deixando o desejo de outra historia a ser vivida.
Saudades de ver filmes ao seu lado...
Ana

 
At 06 Fevereiro, 2008 14:29, Blogger Fabiola said...

Cris... mas eu nem vi o anteior ainda

 
At 12 Fevereiro, 2008 13:40, Blogger Renata said...

lindo esse filme. o final é bem isso que você disse: tocante e singelo, quase doce. e achei bacana essa idéia que você colocou: complicado esperar perfeição, coerência absoluta, das instituições, já que elas são, em última instância, formadas por seres humanos, e somos todos falíveis, incoerentes, insconstantes. complicado isso. só nos resta esperar que, descontados os erros, o saldo final ainda seja positivo.
bjoca!

 

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