8.2.07

O caçador de pipas


Sabe aquela sensação de que ao terminar um livro você perde uma companhia, um amigo? estou com exatamente essa sensação depois de terminar essa leitura. Normalmente fico assim, mas com esse livro foi de uma forma diferente, mais intensa. Resolvi então escrever a respeito dele. Mesmo que você queira ler o livro, pode ler esse comentário, prometo não estragar a estória. :-)
É uma estória muito humana, em vários aspectos. Narrado em primeira pessoa, conta a vida de um menino, na verdade é um livro que fala sobre amadurecimento, enfrentamento de fantasmas, dúvidas, crescimento, enfim... e o fato de ser contado pela própria pessoa nos dá muito mais possibilidades de imaginaro que outros personagens estariam vivendo e pensando, e que não é dito - e nem pode - pelo narrador. O livro me levou a pensar em várias coisas a respeito de como pode ser difícil e doloroso crescer, tomar contato com nossos fantasmas, nossas experiências de quando éramos crianças, quando tínhamos tantas certezas, sem nem saber que para as crianças não é permitido ter certezas. E é fantástico como algumas delas podem permanecer, nos cegando e nos mantendo escravos de nossas próprias fantasias, medos, justamente quando mais precisamos nos livrar delas. Hoje após vários processos comigo mesmo, consigo enxergar tanta coisa pelas quais poderia ter passado de maneira mais leve, mais tranqüila. No caso do livro, o personagem protegia-se na figura do pai, na figura de pessoas mais fortes. No meu caso, acho que como grande parte das crianças, estava muito ocupado esperando o tempo passar, querendo crescer, virar adulto e simplesmente perdia algumas dessas coisas. Mas acho que não existem caminhos certos ou errados, simplesmente trajetórias diferentes, cada uma com suas coisas boas e ruins, dores e risos, belezas e tristezas... exemplos dos quais esse livro está repleto...

Marcadores: