E o tal caso da Cicarelli...

Foi o assunto "requentado" mais comentado na Internet nas últimas semanas, em especial na blogosfera (com o perdão do neologismo, veja o link na Wikipedia), o tal processo que o vídeo da Cicarelli (quem ainda não viu?) gerou, que acabou gerando uma tremenda confusão, que se desenvolveu muito rápido, como tudo o que se relaciona a internet. Na terça da semana passada(dia 9), o nome "Cicarelli" era a segunda palavra-chave mais citada nos blogs mundo afora. Só perdia para "Sadda Hussein". E tudo isso por causa do tão falado vídeo no qual ela transa com o namorado na praia, supostamente afastada das outras pessoas, mas ao alcance da lente objetiva de um paparazzo de plantão (com o que aliás, ela já devia estar acostumada - e mais cuidadosa, eu acho). Ao tentar de alguma forma impedir que o vídeo fosse mostrado, a moça acabou mexendo com uma discussão que gerou muita polêmica: é impossível impedir que esse tipo de coisa se espalhe, a internet é muito grande, e para cada pessoa que tentar tirar uma cópia dessas, devem haver mais umas cinco prontas para recolocar. E asim sucessivamente. É impossível fazer uma triagem dos mais de 6o mil vídeos diários inseridos só no YouTube. E se houvesse um modo de fazer isso, o serviço perderia o seu maior sentido, que é justamente o de prover qualquer coisa que alguém quiser divulgar. Anarquia total? Não... todos os serviços de hospedagem de qualquer coisa (fotos, vídeos, páginas, sites de relacionamento, etc) tem regras para colocação de material, e provém mecanismos para que os próprios usuários denunciem. É o sistema mais eficiente possível, auto-gestão da comunidade. E as coisas costumam funcionar bem, dessa maneira. Até alguém tentar aplicar uma regra do mundo real que não se aplique ali, como foi o caso. E no caso, tentaram aplicar algo que não era nem aplicável! O juiz, que não conhece o funcionamento da internet, achou que deveria proibir o vídeo de ser mostrado. Problema: no site, o vídeo não fica armazenado com um nome bonitinho, tipo: "Cicarellinapraia.mpg". Fica identificado com uma seqüência de letras e números, sem nenhuma associação com o conteúdo. Confusão: como os provedores de acesso receberam a notificação, tiveram que desligar o site todo, simplesmente por não terem como identificar quando era o vídeo da Cicarelli ou não. Simplesmente impossível. Aí ocorreu o óbvio: protestos, xingamentos, milhares de e-mails para a "emissora de tv da Cicarelli". Mas o mais legal é que horas depois de ocorrer o bloqueio, já haviam centenas de sites com explicações de como furar o dito cujo. Coisas da internet. Não tem jeito de controlar, era a auto-gestão contra-atacando. E deve continuar, sempre que tentarem de alguma forma impor toda e qualquer forma de controle ou censura.
Um outro ponto de vista interessante é que tudo remete a ela, os piores adjetivos foram usados para se referir à moça, e nada se fala sobre o rapaz. Ninguém diz que isso vai atrapalhar a carreira dele, ninguém fala mal dele. Um tremendo machismo mal-disfarçado, onde a mulher que é pega "no flagra" é "fácil", "vagabunda", e o homem é "macho", "pegador"... digno de inveja, enquanto a moça é digna de vergonha... aliás, tem um post muito lúcido sobre isso em um outro blog, aqui. Quem sabe um dia fiquemos revoltados e briguemos pelo bom senso em detrimento desses comentários machistas, assim como brigamos pela liberdade de podermos ver o que quisermos na Internet.
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