8.2.07

O caçador de pipas


Sabe aquela sensação de que ao terminar um livro você perde uma companhia, um amigo? estou com exatamente essa sensação depois de terminar essa leitura. Normalmente fico assim, mas com esse livro foi de uma forma diferente, mais intensa. Resolvi então escrever a respeito dele. Mesmo que você queira ler o livro, pode ler esse comentário, prometo não estragar a estória. :-)
É uma estória muito humana, em vários aspectos. Narrado em primeira pessoa, conta a vida de um menino, na verdade é um livro que fala sobre amadurecimento, enfrentamento de fantasmas, dúvidas, crescimento, enfim... e o fato de ser contado pela própria pessoa nos dá muito mais possibilidades de imaginaro que outros personagens estariam vivendo e pensando, e que não é dito - e nem pode - pelo narrador. O livro me levou a pensar em várias coisas a respeito de como pode ser difícil e doloroso crescer, tomar contato com nossos fantasmas, nossas experiências de quando éramos crianças, quando tínhamos tantas certezas, sem nem saber que para as crianças não é permitido ter certezas. E é fantástico como algumas delas podem permanecer, nos cegando e nos mantendo escravos de nossas próprias fantasias, medos, justamente quando mais precisamos nos livrar delas. Hoje após vários processos comigo mesmo, consigo enxergar tanta coisa pelas quais poderia ter passado de maneira mais leve, mais tranqüila. No caso do livro, o personagem protegia-se na figura do pai, na figura de pessoas mais fortes. No meu caso, acho que como grande parte das crianças, estava muito ocupado esperando o tempo passar, querendo crescer, virar adulto e simplesmente perdia algumas dessas coisas. Mas acho que não existem caminhos certos ou errados, simplesmente trajetórias diferentes, cada uma com suas coisas boas e ruins, dores e risos, belezas e tristezas... exemplos dos quais esse livro está repleto...

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5 Comments:

At 09 Fevereiro, 2007 10:27, Blogger Ana said...

Olá, Cris!

Devo discordar absolutamente do seu encantamento em relação ao "caçador de pipas". Já há algum tempo li esse livro e, ao chegar ao fim da estória, pensei que o autor, na verdade, expõe toda a mesquinhez e pequenez de sua alma, o personagem central é um ser humano superficial, egoísta e desinteressante, seu caminho não é o do amadurecimento e sim o do remorso, sua batalha não é para resgatar o outro e sim a própria honra, não é a solidariedade e sim a culpa que o move, por isso, acho que não é uma bela estória de amadurecimento, mas ao contrário, é uma estória que busca legitimar a superficialidade do narrador. Enfim, tentemos redimir o mal-estar da civilização americana com suas guerras injustas e seus olhos fechados sua culpas infinita... Dessa vez, Cris... discordo.

 
At 10 Fevereiro, 2007 01:23, Blogger Cintia said...

Oi, Cris!! Acho que crescer não é doloroso, é simplesmente um grande desafio pra uma pessoinha tão pequena... por isso ser tão difícil! rsrsrs
Ah, e obrigado a vc e a Aninha pela presença no meu niver!! Fiquei muito feliz de revê-los!!
Beijos!
Ci

 
At 14 Fevereiro, 2007 16:12, Blogger Renata said...

Hummm deu água na boca. Quero emprestado, ok? Depois que eu ler a gente discute. bjoca!

 
At 14 Fevereiro, 2007 16:26, Anonymous Cristiano said...

AVISO: se você ainda não leu e vai querer ler o livro, não leia esse comentário, pode ser prejudicial... ;-)
Respondendo ao comentário da Aninha, lá em cima, devo dizer que concordo em parte com o que você disse, até o meio do livro tinha muita raiva do protagonista, da sua fraqueza, da sua pequenez. Mas acho que, embora a parte final do livro destoe completamente por conta disso - inclusive em qualidade, eu acho -, de ele ao meu ver mudar a postura em relação às coisas do passado, ficou para mim uma imagem muito clara de que, embora ainda fraco e falhando, ele conseguiu ter a compreensão de estar fazendo o melhor que ele podia, não podendo, obviamente, consertar nada do que havia proporcionado a todos o que fez sofrer, mas conseguindo fazer o que estava ao seu alcance. Acho que o amadurecimento também comporta isso. E não achei que de alguma forma tenta mostrar essa redenção da civilização americana. De qualquer forma, compreendo que a sua percepção tenha sido diferente, e obrigado (mesmo!) por deixar isso registrado, é sempre bom termos pessoas próximas que nos façam pensar...
beijos
Cris

 
At 15 Fevereiro, 2007 21:44, Anonymous Ana Paula said...

Livros são, para mim, sempre grande companhias. E poder entrar em um outro universo e ainda dividir percepções sobre ele com amigos é, sem dúvida, muito bom!
Não li ainda, chego lá!
Beijos,
Ana

 

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