11.12.06

Pinochet


Uma ironia do destino que ele tenha morrido ontem. Justamente no aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Alguém que durante sua vida pública praticamente os ignorou, quando os regimes ditatoriais afloravam na América Latina, patrocinados pelos Estados Unidos. Escondido atrás da imunidade que o cargo lhe emprestava, liderou um dos mais terríveis regimes ditatoriais da História recente. Milhares de opositores executados, dentro e fora do Chile, para justificar o poder que lhe fora dado pelos militares. Mas tirando essa parte, que todo mundo sabe, fico a pensar no que leva um ser humano a perder completamente o respeito pela vida humana dessa forma? Ninguém em sã consciência faria isso pura e simplesmente por maldade. Sou levado a acreditar em insanidade, em um nível profundo. Uma crença verdadeira de que se estava fazendo algo para uma causa maior, que deveria ser alcançada a qualquer preço, mesmo que este preço seja a vida de milhares de pessoas que se opõem a suas idéias. ALgo completa e totalmente injustificável, sob qualquer aspecto. Nada, nenhuma idéia no mundo, por mais correta que seja, deveria ser razão para a perda de vidas humanas. Religião, política, pedaços de terra, petróleo, diferenças étnicas, tudo isso deveria ser muito muito menor se comparado com o valor da vida, de uma que fosse... o mundo definitivamente seria um lugar bem melhor sem pessoas como esse que se foi ontem.
Que a Humanidade esteja livre de pessoas assim nas gerações que virão...

(foto: UOL/AFP)

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3.12.06

O Maior Amor do Mundo


Hoje assisti a esse filme do Cacá Diegues, "O maior amor do mundo". Saí bem satisfeito, tocado pelo que tinha visto, me agrada um filme do tipo em que as coisas não são explicadinhas, que te deixa livre para pensar, viajar, ou como disse o próprio diretor: "Nosso dever de artistas, de cineastas, não é simplificar as coisas. É complicá-las.". Analisando a estória pura e simplesmente, é a volta ao Brasil de um brasileiro que vem receber uma premiação importante, ao mesmo tempo em que se vê à beira da morte e tenta buscar suas raízes, suas essência na figura da mãe biológica que nunca conhecera. Prato cheio para se construir um roteiro previsível e cheio de clichês, mas felizmente não foi o caso. O drama pessoal de se encontrar no fim da vida e percebê-la estéril em vários aspectos, a frustração, os seguidos choques de realidade ao encontrar o mundo feio que poderia ter sido o seu, se os acontecimentos tivessem sido um pouco diferentes. O contato dele com esse mundo, que pode ser um renascimento sob um determinado ponto de vista, fica como uma busca pela própria capacidade de amar, e deixa a pensar qual é o maior amor do mundo, na verdade no caso dele, a busca , conhecer o que seria o próprio amor, nunca experimentado ao longo da vida. Faz pensar sobre nossa própria vivência sobre o amor, o amor de namorado, o amor de pai, de mãe, em contraste com a crueza da vida que o fillme faz questão de não esconder. Um filme sobre a vida, a morte e o amor... realmente tocante...
O resto, fica a ser descoberto e pensado por quem puder ir assistir... ;-)

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