16.11.06

Renato Manfredini Júnior


Queria ter escrito esse post no aniversário de 10 anos da morte dele, dia 10 de outubro. Mas, estava de férias, fiquei meio longe dos computadores, então escrevo agora mesmo.
Sou e sempre fui um fã incondicional desse cara. Acho que as coisas que ele escreveu e nos deixou nos disseram - e ainda dizem - muito. Lembro-me muito bem da primeira vez que ouvi "Tempestade", o último disco da Legião Urbana lançado com ele vivo, pouco antes de ele morrer. Meu pensamento e comentário aos amigos era basicamente o seguinte: "Nossa, depois desse disco ele se mata, não é possível...". As letras fortes, com um "quê" depressivo, quase que uma despedida, de alguém que realmente desistiu de viver. E o pouco que se sabe publicamente dos últimos dias dele, apontam para isso: desistiu de lutar contra a doença, acabou...
E tentando sair um pouco do lugar comum, de venerar a obra e dizer o quanto cada passagem de cada música serviu de inspiração e de pano de fundo para tantos da minha geração, ainda hoje imagino o quanto de dor existia nele, o quanto ele sofreu durante a sua vida inteira. Por mais que tenhamos uma imagem de ídolo, de ícone, se chegarmos mais perto, vermos alguns depoimentos de pessoas que conviveram próximos a ele, veremos que foi uma pessoa triste, depressiva, alguém que parecia não encontrar o seu lugar no mundo.
Talvez por possuir uma sensibilidade tremenda - sensibilidade esta que nos proporcionou coisas tão belas escritas por ele - ele sentia e vivia as dores do mundo de maneira intensa. A solidão e a revolta descrita tantas vezes, em tantas canções explicitam isso. Citando Vinícius, que dizia que "o poeta só é grande se sofrer", então Renato foi grande. Enorme. E como o próprio Vinícius, sofreu. Solidão, alcoolismo, dependência química, um mundo que diferia muito da imagem que fazíamos dele, alguém que expressava tão bem o amor e tantos outros sentimentos dos quais gostaríamos de falar mas não sabíamos como, e ele fazia com maestria.

E como sempre acontece com artistas depois que nos deixam, seguem lançando materiais inéditos, alguns até que seriam aprovados pelo próprio, mas outros que ficaram propositadamente deixados de lado, que ele provavelmente não gostaria de ver divulgado (quem já ouviu o disco póstumo "Presente" sabe do que estou falando), mixagens, invenções toscas com a desculpa de relembrar e acaba por até estragar algumas coisas, e expor outras que não deveriam ser expostas. Tudo para cotinuar a ganhar dinheiro com o que ele produziu em vida.

Talvez o preço da genialidade aliada à enorme sensibilidade seja realmente ter a vida que ele teve: intensa, porém vazia em alguns aspectos, sofrendo, vivendo tudo de maneira muito rápida, como que um "pára-raios" de todas as dores e angústias do mundo. E, de certa forma, acredito realmente que ele deva estar melhor agora, onde estiver...


"Eu adoro ser idolatrado... Me amem!"
Renato em um show no Rio, 1994.

4.11.06

30 anos... e agora?

Na última sexta dia 3, completei meu trigésimo aniversário. Apenas mais um ano, não fosse o espanto das pessoas, e acho que o meu próprio, com a diferença que faz estar mudando o tal dígito da dezena. Aos 10 acho que nem nos damos conta, aos 20 estive ocupado em entrar na vida adulta, talvez tenha passado mais desapercebido. Mas aos 30 algumas coisas já mudaram, e principalmente alguns conceitos sobre tudo certamente já não são os mesmos. A família já não tem a mesma configuração de antes, membros a mais e a menos... As amizades de outrora já vão distantes, por mais que nos esforcemos para mantê-las conectadas... é, o tempo passou. O mundo virtual nos traz uma sensação de termos todos muito próximos, quando na verdade estão longe, longe, quase como que em outro mundo, outra realidade.
Talvez essa seja uma simples perda da inocência que poderia restar, agora que completei 30 anos ela se foi... Sempre fui uma pessoa que prezou muito pelos laços de amizade, e perceber sua fragilidade doeu muito... por mais óbvio que isso possa parecer, acho que me passou despercebido ao longo dos anos, achando que tudo estava ali, tudo sempre da mesma maneira, as mesmas pessoas seriam aquelas, com os mesmos sentimentos, mesmas idéias, a mesma cumplicidade entre amigos de verdade. Aos que estão distantes, queria lembrar que sempre é tempo, pense um pouco nas pessoas que lhes foram importantes, o quanto pode significar para elas um telefonema, uma lembrança, um contato para falar de tudo, falar de nada... E a eles, os poucos amigos próximos que restam, os amigos presentes, que estiveram e estão sempre presentes e disponíveis depois de tanto tempo, só posso agradecer, e muito. Porque essa presença, sentir vocês, não é pouco. Acho que é a principal coisa que me bateu, agora aos 30, e gostei de poder compartilhar com vocês...
E para mim é muito muito importante. Com vocês todos cheguei até aqui, e espero continuar contando com vocês. E que os próximos 30 passem numa boa, com muito mais a viver, muito mais a aprender e a crescer, sempre. Obrigado.

Alguém muito especial...
E nesse momento não podia deixar de lembrar alguém que esteve ao meu lado durante quase a metade desses 30 anos, e que tem me ensinado muito, apoiado muito e estado sempre presente, nos momentos felizes e tristes, nos difíceis e fáceis. Ana Paula, essa pessoa que é minha amiga, minha companheira, esposa, amante, confidente, tudo o que eu possa precisar e mais um pouco. Surpreendendo-me a cada momento, reinventando comigo o amor, a paixão e todos os muitos sentimentos que eles podem conter, com todas as suas nuances, boas e ruins. Passamos por incontáveis momentos, e a cada vez reinventamos o nosso mundo, mostramos um ao outro o que era bom, o que era possível, e mantivemos sempre a certeza inabalável de que seguiríamos juntos, e quando algo aparece para dizer o contrário, sempre conseguimos nos provar que podemos, e vamos em frente. E com isso tudo que a cada momento cresce a certeza de querer envelhecer ao seu lado, aprender muito mais com você, dividir muito mais ainda, viajar a muitos lugares que ainda não conhecemos, viver muitas sensações novas ao seu lado, continuar construindo nossa família e continuar reinventando nossas vidas, nosa paixão, sempre que necessário. Ainda que só nós dois possamos compreender coisas só nossas, continuamos reservando-as para a nossa realidade. A você, mulher única e incomparável, marcante e inesquecível, meu muito obrigado, que nunca será suficiente para dimensionar o quanto você é importante, e o quanto me sinto especial e abençoado por ter você ao meu lado. Amo você, querida, e espero comemorar muitos aniversários ainda tendo você ao meu lado...

(imagem editada a partir de originais de http://www.ancientsculpturegallery.com/, http://imagescommerce.bcentral.com/, http://babyholder.com)

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