19.10.06

A Trilha Inca até Machu Picchu


Tirar férias é bom demais. E quando se pode fazer algo legal, uma viagem que seja um sonho sendo realizado, fica melhor ainda. Na semana passada estivemos no Peru, fizemos a caminhada pela Trilha Inca, de Cuzco até Machu Picchu, a chamada cidade perdida dos Incas. Em breve, um relato dessa nossa viagem (com muitas fotos) no Canto Virtual - secao "viagens". Mas gostaria antes disso de compartilhar um pouco do que foi essa experiência para mim.

De uma maneira geral, foi um grande exercício de superação pessoal, daqueles para mostrar para nós mesmos que somos capazes de fazer. A caminhada de mais de 40 km durante quatro dias no meio do mato, andando e acampando em altitudes entre 2500 e 4200 metros não é uma tarefa que possa ser classificada como trivial(ainda que com carregadores ajudando), para pessoas normais, que não sejam exatamente o que possa ser chamado de "atleta". E conseguimos passar por ela. Uma vitória, que já teria por si só valido a viagem. Mas, além disso, tivemos a experiência de poder sentir um pouco do que foi a civilização Inca. O nosso guia ao longo desses dias, o Jim, eu acredito que possa ser considerado um patrimônio da trilha, pelo conhecimento e vivência do lugar. Formado em História, conseguiu nos mostrar coisas que transcendem os livros, além das sensações de estar nos lugares, sentir o ambiente e as coisas que fizeram parte da vida desse povo. E foi muito legal tomar conhecimento do quão avançados eram, e a forma brutal como foram "colonizados" cultural e religiosamente pelos europeus católicos. Quando os Incas conquistavam outros povos na América do Sul - e não foram poucos -, eles respeitavam a cultura e religião daquele povo, absorviam o que havia de interessante, útil e passavam a sua cultura e tecnologia para o povo conquistado, a partir de então sob o controle do Império Inca. Um tipo de conquista inteligente. Diferente da colonização católica, que simplesmente não poderia admitir que os povos ditos "selvagens" pudessem ter algo a lhes oferecer em algum campo do conhecimento. E com isso certamente deixaram de aprender muitas coisas valiosas, uma vez que so estavam preocupados em conseguir mao-de-obra, terras e almas pagas para serem - por vezes forçadamente - convertidas ao catolicismo. As construções Incas eram mais resistentes a terremotos do que as dos espanhóis, só para dar um exepmplo simples dentre tantos outros.

E o fato de fazer a caminhada toda, o que é feito por uma parcela pequena dos turistas que vão a Machu Picchu, é entrar em contato com um ambiente diferente, uma energia que transcende aquelas matas, aqueles morros e que chega ao seu ápice ao adentrar na cidade perdida através do portal do Sol. Alguns dizem que as pessoas que trilham aquele caminho passam por transformações. Não sei se voltei transformado, mas que algo diferente acontece ali, a mim pareceu inegável...
Viver a Trilha Inca, o caminho mais comprido entre Ollantaytambo e Machu Picchu, é perseguir um pouco desta História, é trilhar o mesmo caminho que trilharvam os peregrinos prestes a serem iniciados na religião Inca como sacerdotes. E ver em cada uma daquelas ruínas a beleza e o respeito a natureza que os cercava, através da qual eles entravam em contato com Deus. E não importa o nome, rosto ou rostos que davam a esse Deus, mas era o Deus que estava nas pedras, que estava no Sol, na natureza que lhes era dada como dádiva, mas também sobre a qual tinham responsabilidades, e exploravam com muito cuidado e com uma consciência infinitas vezes maior do que a dos conquistadores, auto-intitulados mensageiros da verdade para propagá-la às almas dos pobres selvagens, para que estes fossem salvos. Talvez os povos da América Latina estivessem melhores hoje se algma coisa tivesse sido diferente por ali...



"Machu Picchu es un viaje a la serenidad del alma, a la eterna fusión con el cosmos, allí sentimos nuestra fragilidad. Es una de las maravillas más grandes de Sudamérica. Un reposar de mariposas en el epicentro del gran círculo de la vida. Otro milagro más. "
Pablo Neruda

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1.10.06

O retorno de Saturno


"E aos vinte e nove, com o retorno de Saturno
Decidi começar a viver..."

Legião Urbana

Eu não me considero totalmente cético a respeito de nada - o que não quer dizer que acredito em tudo, apenas não duvido de nada -, uma das coisas a respeito da qual sei muito pouco, mas tenho um tremendo respeito é a astrologia. Não a astrologia de jornal, que teoricamente prevê o seu dia-a-dia, pretensamente norteia suas ações e altera suas ações no micro, mas sim aquela astrologia séria, que realmente tenta explicar a influência dos astros na nossa vida, que pode até ser explicado cientificamente de alguma forma. O fato é que ultimamente por coincidência tenho ouvido falar, e lido casualmente algo a respeito do retorno de Saturno. Saturno tem um ciclo completo ao redor do Sol que dura torno de 29 anos. Desta forma, quando temos por volta dos 29 anos, Saturno está relativamente ao Sol na mesma posição do momento de noso nascimento. Saturno representava o deus do Tempo segundo a mitologia greco-romana. Desta forma, a figura de Saturno aparece como uma espécie de "tutor", para nos cobrar as realizações e verificar o que fizemos ao longo do tempo que passou desde a sua última "passagem". Nesse momento da vida acredita-se então que as pessoas passem por momentos de decisões, de mudanças, de assumir responsabilidades. Para alguns, o momento pode ser bom, para reafirmação de suas metas, balanço positivo da vida e coisa e tal. Para outras, o balanço pode não ser assim tão positivo, fazendo com que a pessoa passe por turbulências em sua vida pessoal, profissional. (Peço perdão a estudiosos de Astrologia pela minha explicação, como já disse, não domino o assunto). Pois bem, outro dia no blog de uma amiga li que o "retorno de Saturno" dela estava sendo difícil, coisa e tal e aí procurei pensar um pouco sobre o meu. Fala-se que as tais mudanças devem ocorrer entre os 28 e 30 anos de idade. Este ano faço 30, e realmente esse meu último ano e meio tem sido bem tumultuado, no campo pessoal e profissional. Algumas transformações, algum crescimento pessoal realmente aconteceram. Tipo dessas coisas que são muito mais fáceis de serem vistas e entendidas depois de já terem acontecido. Pareceu a mim um bom exemplo de que não importa se acreditamos ou não nas coisas, elas realmente podem influenciar em nossas vidas. Acho que isso vale para um pouco de tudo, religião, influência da energia, do otimismo em nossas vidas, e também da astrologia... Lembrei-me da canção citada acima, e o "...decidi começar a viver" fez muito sentido, ao menos na minha experiência pessoal, e de algumas experiências de que fiquei sabendo. Pelo sim, pelo não, espero estar preparado para quando Saturno chegar de novo, lá pelos meus 58 anos... tá looooonge...

Imagem original em fpsoftlab.com

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