26.8.06

Por que vai dar Lula?


Uma coisa muito interessante vem acontecendo nessa campanha eleitoral. Todo mundo esperava uma campanha "sangrenta", onde o Lula seria achincalhado por todos por conta das denúncias de corrupção, deveria por conta disso cair nas pesquisas, e aí deveria começar a baixaria, troca de acusações entre todos, até o final. Mas o que ninguém esperava aconteceu: apesar de todas as denúncias, todas as coisas já confirmadas a respeio do governo Lula, ele continua com aprovação absoluta da população, bate recordes de popularidade e segue, ao que tudo indica, para uma reeleição no primeiro turno. Como algum homem público é capaz de "apanhar" por tanto tempo e ainda assim permanecer forte? Li já há algum tempo um artigo do Dimenstein na Folha, onde ele de alguma forma tenta explicar isso. Baseia sua análise numa pesquisa feita pelo economista Ricardo Paes de Barros. Os cálculos do economista analisam os programas sociais do governo e que, para os 20% mais pobres da população, a adoção desses programas,
aliada ao cotrole da inflação, ao aumento substancial do salário mínimo teve um impacto absurdamente grande sobre essa população. É um crescimento comparável com o da economia da China nos últimos tempos. Os dados se baseiam em informações do IBGE, e vêm se mantendo de maneira consistente durante os últimos 2 anos. Se os programas podem ser melhorados, ou se eles colaboram realmente para uma diminuição da desigualdade, aí é outra estória. Já se fala há tempos que existem vários "Brasis", dado o tamanho do abismo social que se instaurou em nossa sociedade ao longo da história. Pois agora nota-se que o Brasil rico, das camadas mais favorecidas, está com o tal crescimento pífio, estagnado conforme alardeado pela oposição. Em contrapartida, a população menos favorecida está em digamos, euforia. Nota-se, por exemplo, que para os 10% mais pobres o poder aquisitivo subiu 16% só no ano de 2004. Isso para um crescimento médio de cerca de 4% (o tal pífio). Em nenhum momento a pesquisa utiliza esses dados para justificar o desempenho de Lula (Dimenstein o faz no artigo).
Levando em conta essa "euforia" e o fato de que grande parte da população não entende as notícias sobre corrupção, generalizando o fato de que "político nenhum presta, são todos iguais", e o fato de que Lula pudesse, de fato, não estar envolvido em nada - afinal, ele é um deles, um "do povo", não faria isso ,é diferente.
A história acabará dizendo o que estamos vivendo hoje, mas o fato é que a estabilidade econômica herdada de FHC, a adaptação de alguns programas sociais já existentes criaram esse quadro de hoje. Se vai se manter, veremos. Mas por enquanto, paliativo ou não, o remédio dado a essa parcela da população parece que vai realmente reeleger Lula.

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