Anestesia coletiva
Um país inteiro, milhões de pessoas anestesiadas... é exatamente essa a sensação no Brasil em tempos de copa do mundo... é fantástico como as coisas param, tudo fica meio que no ar, o tempo passa meio devagar, e todos se unem em torno de algo único, forte, que concentra de maneira forte um nacionalismo, um ufanismo que em outros lugares seria canalizado para guerras, disputas étnicas e/ou religiosas, aqui só consegue ser focalizado para torcer pela nossa seleção de futebol. É verdade que se vê também torcidas fanáticas em outros países, mas por aqui é diferente. Diferente e praticamente impossível de ser explicado a um estrangeiro. Tente se imaginar chegando a um país onde tudo, trabalho, escola, bancos, serviços públicos, tudo permanece
parado enquanto a seleção nacional disputa uma partida de futebol. Fico imaginando quão grande é a força, a vontade e a capacidade de união desse povo maravilhoso que é o povo brasileiro. Capacidade de superação, de luta, vem logo à lembrança de uma estória que ocorreu há muito tempo atrás, de um rapaz simples, que seguia chorando e correndo a pé o cortejo fúnebre do Ayrton Senna. Vendo o que ocorria, alguém da família de Senna (acho que a mãe, não me lembro bem) pediu que alguém chamasse o rapaz, para que seguisse de carro com a família. Ele recusou. E seguiu correndo, como que sua própria superação fosse como que uma homenagem ao ídolo morto. Fica uma sensação de força, de poder e de união muito grande. O que seria desse país se todo esse poder fosse canalizado para uma politização maior, uma preocupação e uma fé em mudar o país para melhor. Que a preocupação com a escalação do ataque da seleção seja trocada pela preocupação com reformas na educação, na política. Ninguém ia realmente saber onde esse país iria parar... Fizessem marcação cerrada com seus representantes parlamentares como fazem com técnico, jogadores, quando fazem coisas com que não concordam... o poder ao povo, democracia, enfim... seria muito bom. E olha que quem diz isso não é nenhum ser alheio ao futebol, muito pelo contrário, gosto, torço, acompanho, palpito... mas é que dá realmente uma dor no coração a sensação de que tanta coisa podia ser diferente por aqui... podíamos ser maiores, como já somos no mundo do futebol...Marcadores: politica

