Verticalização
A mim parece muito sensato pensar que um político deve defender idéias, e associar-se a um partido que seja condizente com as idéias que defende. A associação entre partidos, portanto, deveria seguir a mesma lógica. Tudo muito óbvio. Mas, da maneira como se faz política no Brasil, isso é praticamente piada, via de regra (salvo honrosas exceções). Os interesses políticos em busca do poder e troca de favores simplesmente atropelam qualquer indício de coerência nas relações partidárias. E fica a sensação que todos os políticos são iguais, ninguém vale nada e consequentemente não tem jeito... Uma reforma política séria com o mínimo de respeito pelo eleitor, com fidelidade partidária, urge e não é de hoje... Agora há pouco o Supremo Tribunal Federal definiu que a verticalização deve vale para as eleições desse ano, conforme notícia na Folha Online. Dá um alívio, mesmo sabendo que para 2010 não vai mais valer. A questão é que queriam simplesmente mudar a regra do jogo (que aliás, faz muito sentido do jeito que está) com o jogo praticamente andando... A imposição de manter as alianças em todas as esferas na eleição faz muito sentido, e tenta trazer um pouco de coerência ao confuso cenário político brasileiro. Faria todo o sentido, se o agrupamento em siglas partidárias seguisse uma orientação ideológica, e não fosse simplesmente um aglomerado convenientemente mudado de acordo com as conveniências do momento. Do jeito que se faz política no Brasil, o fato de alguém ser de um partido hoje e de outro amanhã, e de um terceiro daqui a um mês não é tratado como uma mudança de ideologia, de orientação ou de um projeto de país.
Se não arrumarem decentemente as coisas, colocando regras coerentes para serem seguidas, ao invés de mudadas de acordo com interesses oscilantes, vão continuar dando argumentos ao senso comum de que não tem jeito, ninguém presta... e qual o país que deixaremos aos nossos filhos?



