Paraíso.. agora?
Nessa semana assisti ao filme "Paradise now"(Paraíso agora), um filme palestino que conta a estória de homens-bomba, mas muito diferente da maneira como os ocidentais costumam mostrá-los. O filme é bem-feito, um roteiro simples e direto, mas consegue mostrar muito do lado humano das pessoas, mostrar o quanto se sentem perseguidas, oprimidas, e as dúvidas e medos inerentes a pessoas que em determinado momento decidem por acabar com suas próprias vidas.
A trama se desenvolve de maneira angustiante, de forma a, se o espectador ocidental conseguir se livrar de pré-conceitos a respeito, pode até justificar as atitudes deles, guardadas obviamente as devidas proporções.
Particularmente, eu acho muito difícil para nós ocidentais - e talvez brasileiros em particular - de aceitar a idéia de uma guerra que dure por tantos anos, por tantas gerações porque pessoas diferentes acreditam ter direito - fornecido por Deus em pessoa - a um mesmo pedaço de chão.
E mais ainda, qualquer coisa, qualquer ação é justificada de ambos os lados por isso. Tanto o terrorismo de estado praticado por Israel quanto o terrorismo "desesperado" dos palestinos. Os mártires conseguem um status, serem valorizados e saber que suas famílias conseguirão um amparo impensável de outra forma. Numa sociedade mantida marginalizada pelos israelenses, acaba sendo uma das pouquíssimas possibilidades de se conseguir "algo".
Convém sempre lembrar que o Estado de Israel foi o primeiro a digamos, recomeçar essa briga no século passado, quando foi criado pela ONU e depois simplesmente ignorou suas fronteiras e desconsiderou a existência do legítimo Estado Palestino. Talvez se conseguíssemos imaginar essa situação extrema, de se sentir completamente abandonado, invadido, desumanizado e tratado com tanto desprezo conseguiríamos imaginar o ódio
que isso geraria por anos e anos, de geração em geração... matar o pai de outro porque o avô dele matou meu pai, ou simplesmente porque o povo dele mata gente do meu povo... acredito que guerra nenhuma vai adiante sem estupidez, e nesse caso a estupidez aflora em ambos os lados. Nenhum dos dois consegue ceder porque não consegue conter seus próprios radicais, nunca chegando a um consenso... um problema de séculos, que talvez o ocidente ignorasse por completo - como igora dezenas de
conflitos idênticos na África - se aquela não fosse, além de Terra Santa, uma terra tão rica em petróleo. Se um dia ele perder o valor, provavelmente Washington os deixaria, para matarem-se uns aos outros.
Uma desmilitarização e internacionalização da chamada Terra Santa talvez fosse uma solução... mas falta alguém para bancar essa idéia seriamente. Os judeus americanos provavelmente não deixariam que os Estados Unidos o fizessem, então...
Esperemos... e torçamos para que as gerações vindouras possam ser menos estúpidas e mais eficientes do que nós fomos... para o bem de todos... e que os jovens palestinos consigam de alguma forma o seu paraíso aqui, entre nós, sem a necessidade de morrerem por essa causa em busca do prometido paraíso...
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2 Comments:
Muito interessante! Parabéns pelo texto...
Acrescentaria o questionamento sobre o que estas pessoas podem fazer para serem visíveis, para que sua causa ganhe pauta, de uma outra forma que não através das ações terroristas?
Como bem questionam as personagens: qual perspectiva de vida?
Como fazer para se ter visibilidade social? Algumas vezes se explodindo e ganhando status de herói da causa.
Certamente muito que se compreender em torno desta questão...
Adorei o texto, muito legal.
Ai, fiquei morrendo de vontade de ver esse filme, na mostra do ano passado.
Entender esse tipo de motivação, pra gente que tem outro tipo de formação cultural e religiosa (outra forma de enxergar a religião, independente de qual seja), outra forma de ver e entender a vida, é mesmo complicado entender essas motivações. Só nascendo de novo, palestino ou israelense, pra saber. Mas é triste, tudo isso, muito triste. Saber que se mata por tão pouco, por conceitos relativos ou por um pedaço de terra que, afinal de contas, é apenas isso: um pedaço de terra. Falta generosidade, falta humildade, falta disposição para o diálogo. Falta tanta coisa... triste pensar que essa situação ainda vai, provavelmente, levar muito e muito tempo para caminhar. bjoca.
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